Queda de Cabelo na Mulher

Mulher a observar cabelos caídos na escova

A queda de cabelo é uma preocupação que pode afetar homens e mulheres, mas, no caso feminino, tende a ter um impacto visual mais significativo, muitas vezes interferindo negativamente na autoestima e bem-estar emocional.

 

O ciclo de vida capilar é composto por três fases distintas: a fase anágena (crescimento), que dura entre 2 a 7 anos; a fase catágena (transição), com duração de cerca de três semanas; e a fase telógena (queda), que se estende por aproximadamente três meses. Todos os dias, é natural perdermos entre 50 a 100 fios de cabelo, que serão substituídos por novos que iniciam um novo ciclo.

 

No entanto, quando a perda de cabelo ultrapassa esse número, é fundamental procurar avaliação médica com um tricologista. Só assim se poderá identificar a causa da queda e distinguir se se trata de um fenómeno transitório com recuperação esperada ou de um quadro mais grave que poderá culminar numa redução progressiva da densidade capilar.

Causas mais comuns de queda de cabelo

É essencial avaliar se a queda de cabelo relatada é fisiológica ou se está associada a algum tipo de alopecia. Um dos fenómenos mais frequentes é o eflúvio telógeno – uma alteração no ciclo capilar em que uma proporção maior de fios entra prematuramente na fase telógena, provocando uma queda acentuada (mais de 150 fios por dia). Este tipo de queda pode surgir por vários motivos: mudanças sazonais (comum no outono), alterações hormonais, disfunções da tiroide, défices nutricionais, situações de stress ou depressão, infeções como a Covid-19, anemia ou dietas restritivas.

Quando o eflúvio telógeno persiste por mais de seis meses, passa a designar-se como crónico. Importa sempre identificar e corrigir a causa para permitir a recuperação capilar.

Por outro lado, quando há diminuição persistente e progressiva da densidade capilar, estamos perante um quadro de alopecia.

Principais tipos de alopecia feminina

Entre os diversos tipos de alopecia que afetam as mulheres, destaca-se a alopecia androgenética feminina. Trata-se da forma mais comum e está relacionada com predisposição genética e influência hormonal. Ocorre uma miniaturização progressiva dos folículos, resultando em fios cada vez mais finos e escassos. Atinge cerca de 6% das mulheres entre os 20 e 30 anos, mas a prevalência sobe para 40% nas mulheres acima dos 70 anos, especialmente após a menopausa.

Outro tipo relevante é a alopecia areata – uma condição autoimune em que o sistema imunitário ataca os folículos capilares. Manifesta-se por placas arredondadas ou ovais totalmente desprovidas de cabelo e pode atingir qualquer região pilosa. A evolução é variável: pode haver recuperação espontânea ou progressão para formas mais graves, como a alopecia total ou universal.

 

Já as alopecias cicatriciais, como a alopecia frontal fibrosante, o líquen plano pilar e a alopecia por tração, envolvem destruição permanente do folículo, levando à perda definitiva dos cabelos. A alopecia frontal fibrosante, por exemplo, caracteriza-se por recuo da linha frontal e perda das sobrancelhas, sendo mais prevalente em mulheres após a menopausa. A alopecia por tração resulta de tração mecânica crónica nos fios, como ocorre com tranças ou rabos de cavalo apertados.

Impacto psicológico da queda de cabelo na mulher

Para muitas mulheres, o cabelo representa uma parte importante da sua identidade e feminilidade. A queda de cabelo pode provocar sentimentos de insegurança, vergonha e isolamento social. Estudos revelam que cerca de 88% das mulheres com problemas capilares referem impacto negativo na sua qualidade de vida, 75% relatam baixa autoestima e 50% sentem prejuízo nas interações sociais.

Diagnóstico médico: a chave para um tratamento eficaz

É essencial que a avaliação seja feita por um médico especializado em tricologia. A consulta deve incluir:

– História clínica detalhada, incluindo hábitos de vida, alimentação, doenças associadas e antecedentes familiares.
– Avaliação hormonal e ginecológica no caso de mulheres, especialmente em contextos de acne, hirsutismo ou irregularidades menstruais.
– Observação do couro cabeludo para identificar sinais de inflamação, descamação ou miniaturização folicular.
– Tricoscopia, uma técnica que permite analisar os fios e couro cabeludo com aumento.
– Exames laboratoriais e, se necessário, biópsia do couro cabeludo para esclarecimento diagnóstico.

Existe cura para a queda de cabelo?

Em muitos casos, sim – especialmente quando a causa é identificada precocemente e tratada adequadamente. Situações de queda transitória, como o eflúvio telógeno, tendem a regredir com a eliminação do fator desencadeante. Já nas alopecias permanentes, o objetivo será controlar a progressão e recuperar densidade capilar sempre que possível.